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segunda-feira, 13 de maio de 2013

As relações que são uma ralação




Por vezes acontece-me andar de olhos fechados relativamente a alguma coisa ou situação. Ora bem não é por acaso, é mesmo porque há situações que se nos afiguram cobertas por um véu espesso que nem sempre é possivel descortinar, porque por outro lado os intervenientes nos são caros e não queremos levantar esse véu com medo do que se nos possa afigurar, porque, em última instância,  para não sofrer muito mais vale fechar os olhos.

Só que um dia o véu acaba por ser arrastado para o lado por um vento forte e depois acabaram-se as desculpas e assim ficam diante de nós dois seres humanos no mais imperfeito, triste e feio que a natureza humana nos reserva. Quando estou perante pessoas manipuladoras, usurpadoras, egoístas as minhas reacções são de repulsa perante  o "mau da fita" e um certo instinto protector sobre a vitima. Mas depois novo abalo quando percebo até que ponto a relação é doentia porque a vitima se vira contra mim na defesa do "mau da fita", e é aí que eu percebo que a pobre está de tal forma seduzida, manipulada que deturpou a realidade e o mau da fita não passa de um tipo bonzinho de quem se deve ter muita compaixão.

A mim fica-me a lição: não tentes proteger quem não quer ser protegido ou, eles que se amanhem que eu vou à minha vidinha. Mas o amargo de boca desse já eu não me livro.
 


sexta-feira, 29 de março de 2013

De como o jantar de Sexta-feira Santa me fez recordar as minhas férias no Algarve




Tudo começou um destes dias quando fui à peixaria comprar umas argolas de lulas. A D. Soledade, a peixeira, sugeriu-me que fizesse uns calamares porque ficavam muito bons.

Sorri-lhe e concordei com ela dizendo: nem me diga nada, com umas gotinhas de limão por cima então é que é, mas aquilo que eu não lhe disse é que comidos numa esplanada em Espanha num final da tarde de Verão ainda melhor.

Mas depois tudo se desvaneceu, as argolas foram para o congelador e as memórias das férias para uma das gavetas do meu cérebro.

Foi só quando comecei a preparar o jantar de sexta-feira Santa, uma caldeirada, porque a dieta não permitia os calamares, que de repente a dita gavetinha se abriu e saltou de lá a lembrança dos lanches numa qualquer esplanada em Ayamonte e a seguir a esta mais uma, as areias quentes da praia da Manta Rota, onde fiz férias durante mais de dez anos com a familia e os amigos. Recordei com  saudade aqueles tempos simples e felizes e foi assim que fui saltando de lembrança em lembrança sempre envoltas naquele calor quente do sul, o cheiro do mar, mas também da terra, das figueiras, da alfarroba e que bem que me soube voltar lá. Asim que a caldeirada foi para o lume e o seu cheiro começou a espalhar-se, a ultima lembrança: as excelentes caldeiradas e outros petiscos que por lá degustei.

Depois regressei ao presente, com a certeza que vão acontecer novas viagens ao passado.