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quinta-feira, 4 de junho de 2015

Mais um anuncio banido porque a cachopa é uma trinca-espinhas



YSL
Cliquem em cima da foto para ler notícia

 


Pelo menos seria assim chamada aqui no Norte: uma trinca espinhas, um pau de virar tripas ou seria avisada de que se fosse a Braga ou Guimarães (nunca sei em qual das cidades é que se fazem as ditas facas)  as pernas ficavam lá para cabos de facas. 

Brincadeiras à parte, a rapariga é magra, é claro que é, pessoalmente acho que a roupa fica melhor em mulheres com mais curvas. Mas daí até mandar banir o anúncio de uma marca como a YSL será um bocado a mais. Esta perseguição que se instalou é como tantas outras fruto de preocupações de cabeças que parecem ter pouco com que se entreter. 

Quem de levanta contra estas pessoas magras, não parece nada preocupada com o facto de cada vez mais existirem raparigas e até mesmo rapazes com níveis de obesidade elevados, com colesterol e diabetes elevados, com problemas psicológicos e emocionais sérios. 

Quando eu era miúda havia um ou dois gordos na turma, alguém já reparou este numero disparou nos ultimos 20 anos de forma assustadora? 

E campanhas de prevenção para este problema, onde estão elas? E pessoas a lutar para acabarem com a obesidade infantil e juvenil? 

Claro que a magreza extrema não é sinal de saúde e eu não defendo que as pessoas sejam todas magrinhas, mas gostaria de ver as mesmas pessoas que se levantam num coro de protesto contra estas modelos fazerem o mesmo ruído pela luta contra a obesidade.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

O acordo ortográfico


Se não conseguem ler a tira vejam aqui


É só para avisar que eu vou continuar a escrever como me ensinou a minha querida professora Maria Ester há 30 anos atrás. 

Em termos profissionais já tivemos de aplicar o acordo ortográfico há alguns anos e eu tenho correctores para "traduzirem". 

Desculpem mas eu não gosto da nova escrita, e não quero reaprender a escrever, como já não ando na escola ninguém me vai mandar escrever a palavra nova 20 vezes quando eu der erros. Atenção eu poucos erros dei e tinha vergonha de os dar. Mas agora vou dá-los porque quero. 

Como é que eu resolvo esta questão com o meu pimpolho que está a aprender de acordo com o novo acordo? É fácil, e eu já lhe expliquei que quando andava na escola não aprendi a escrever como ele, por isso ele vai aprender como lhe ensinam na escola (a mãe em casa vai espreitar aos livros dele ou mesmo na net quando surgem as dúvidas). 


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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Dar a conhecer os grandes mestres da pintura aos mais pequenos

É a proposta da Revista Visão. A partir de hoje vai ser publicada uma coleção de 8 livros de grandes mestres da pintura para os mais pequenos. 

As personagens Violeta e Indigo vão viajar no tempo para conhecerem Picasso, Leonardo Da Vinci, Renoir, Velázques, Rembrandt, Degas, Van Gogh e Almada Negreiros. 




Porque uma educação sólida requer conhecer o passado - de forma divertida - para compreender o presente e projetar o futuro. 

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

As crianças e os comportamentos menos positivos: tudo se resolve no psicólogo, ou então não




Ai o meu menino não se está a dar bem na escola, entrou há uma semana e já está sozinho na carteira e tem caras amarelas ou vermelhas nas fichas diárias de avaliação. Vou leva-lo a um psicologo, não pode ser, coitadinho do meu menino. 


Ouço várias vezes este comentário sendo que a última foi este fim de semana e o meu pensamento é sempre o mesmo: e os pais falarem com a criança e procurarem compreender o que se passa? 


Não, nada disso. Os pais passam verdadeiros atestados de incompetência parental porque no fundo têm medo de errar e acham que têm de ser outros e de preferência psicologos a resolverem questões que são da sua única responsabilidade, que deviam ser resolvidas na família em conjunto. Porque os psicologos é que sabem, porque o meu filho(a) só pode ter uma doença qualquer e nem pensar que a criança pode precisar de algum tempo para se adaptar, que há algo que não goste, que se sente desacompanhada porque os pais não falam com ele(a). Não, hoje em dia tudo é uma doença qualquer para a qual há comprimidos milagrosos.

As crianças sentem medo do desconhecido, sentem-se inseguras e com medo de falhar, a entrada num infantário ou na escola seja no primeiro ano, seja em outros anos é sempre um momento stressante e angustiante para a criança. Depois dependendo do tipo de personalidade de cada um, da forma como foram educados a lidar com questões novas a reação vai sendo diferente. Há os que vão em frente não querendo demonstrar o que sentem e remoem ou choram num canto em silêncio. Há os que exteriorizam tudo e choram todos os dias à porta da escola , há os que se sentem revoltados e reagem descarregando o seu mal-estar nos professores e nos colegas. Há muitas reações para o mesmo sentimento: medo do que não se conhece, medo de falhar e de ser castigado. 

A primeira abordagem tem de ser sempre feita pelos pais com calma, muita paciência e muito carinho.  Têm de conversar com os vossos filhos, não há outra forma, ouvir o que eles sentem com a mente aberta, aceitar o que eles vos dizem - ainda que tenham de ouvir o que não queriam - apoia-los e incentiva-los tantas vezes quantas sejam necessárias. É preciso compreender que o mau comportamento é revelador de problemas profundos que têm de ser tidos em conta o mais rapidamente possível para que não evoluam para situações mais graves. Não é castigar por mau comportamento que se evita que o mesmo se repita é preciso entender o porquê de um determinado comportamento e perceber o que pode ser feito para que não se volte a repetir, castigos em excesso só aumentam mais ainda os comportamentos indesejados. 

Os pais são quem sabe o que é melhor para os seus filhos. Todos temos dentro de nós a capacidade para os ajudar, mas hoje em dia muitos pais parecem não acreditar nisto, ou então com medo de falhar preferem que seja outra pessoa que nem sequer conhece a criança que tem à sua frente a resolver questões que são da competência dos pais. 

Vou partilhar convosco algumas dicas que vos ajudem

- Antes de mais nada lembrem-se como eram quando tinham a idade do vosso filho e como se sentiram quando entraram para a escola, peçam ao outro pai para fazer o mesmo. Quase de certeza que vão encontrar semelhanças entre comportamentos que vocês tiveram e que os vossos filhos estão a ter. 

(Exemplo e eu e o marito fomos crianças reservadas, que não gostavam de confusão, que não tinham muitos amigos e que nas aulas queriam tudo bem feito e nem pensar em ter mau comportamento. Está bom de ver que o pimpolho é igual: é pacato, não gosta nada de colegas turbulentos, quer tudo bem feito e só quer ter caras verdes na folha de avaliação).

- Ouçam os vossos filhos. Sabem porque é que temos dois ouvidos e uma boca? Para escutarmos mais do que falamos. Digam-lhe que vos podem contar tudo, mesmo tudo porque vocês querem ajuda-lo. 

- Não gritem, não ameacem com mais castigos, não lhe digam que são maus (podem pensar isto tudo e sentirem-se frustrados, mas não o verbalizem). 

- Encontrem sempre o lado positivo e tentem caminhar de forma a encontrar soluções. Sejam assertivos, comecem com regras simples. 

- Expliquem-lhes quais as consequências do comportamento (exemplos: os meninos não vão gostar deles, não vão ter ninguem com quem brincar, a professora fica triste com esse comportamento, os pais estão tristes com as caras amarelas ou vermelhas).

- Se a falha é vossa, aceitem-na e façam tudo para corrigir o vosso erro e muito importante reconheçam e peçam desculpa aos vossos filhos. Vocês não têm de ter imagens perfeitas perante os vossos filhos, não é vergonha nenhuma mostrar que se errou, aliás só assim vocês podem fazer com que eles admitam os erros deles. 

- Falem com o(a) professor(a) e procurem soluções em conjunto.

- Mas o mais importante é que percebam que são os responsaveis pelos vossos filhos, que não há fórmulas mágicas, que não há teorias que sejam leis, que ninguém conhece melhor os vossos filhos ou que vai operar milagres. 

- Tudo se resume à família: num ambiente de diálogo mutuo, de abertura, de acompanhamento desde os primeiros meses de vida dos nossos filhos, de estabelecimento de regras desde pequenos, tudo acaba por fluir. Claro que problemas vão sempre existir, mas se houver alguns destes alicerces será mais fácil corrigi-los.




terça-feira, 5 de agosto de 2014

Cenas Minhas: para os dias de cão

Todos os temos, aqueles dias em que os demónios se soltam e nos infernizam a existência. Hoje deixei este comentário num outro blogue e resolvi partilha-lo aqui com vocês para que ajuda não seja só para um.



Ok todos temos dias de cão e eu tenho 38 quase a fazer 39 e tenho dias, ou madrugadas, que as neuras aparecem a qualquer hora, e as minhas começam normalmente às 5h da matina. Entendo perfeitamente essa frustração, também tenho um emprego da treta que serve para pagar as contas e às vezes mal chega. Se há receitas de felicidade ou para mudar de vida também não as conheço e se mudar de vida é num click não é não, minha senhora. Mudar de vida só é um click para quem não tem famílias a cargo ou mesmo tendo-as tem riqueza suficiente. A minha receita? Evitar a todo o custo ser esmagada pela diabólica frustração: ter 6 coisas boas em que pensar quando os demónios se soltam e usa-las para combate-los repetindo-as em voz baixa até que eles se arrumem. Viver um dia de cada vez e manter um projecto de vida, um trabalho ou qualquer outra coisa, e acreditar que um dia vai acontecer. Era isto e um abraço.

INÊS
 

segunda-feira, 2 de junho de 2014

A vez dos pais - um texto que deve ser lido por todos mas em especial pelos pais angustiados e aflitos do século XXI

Isto da parentalidade tem sempre muito que se lhe diga e o que eu concluo quase todos os dias é que não há verdades fundamentais, não há pais perfeitos nem filhos perfeitos. Há apenas seres humanos que tentam ser felizes e criar filhos que saibam encontrar o seu lugar no mundo e se possivel serem também eles felizes.

Não acredito em teorias nem em correntes educacionais, acredito que cada um de nós tem dentro de si o potencial para transmitir ao seu filho o melhor e que só tem mesmo de se esforçar todos os dias por faze-lo sabendo que muitos vão ser os dias em que vai falhar mas que em tantos outros vai acertar. O que interessa é não desisitir.

Mas hoje o texto que aqui partilho da autoria de João Miguel Tavares é dedicado ao homem/pai trabalhador e prestador de cuidados e aviso desde já deve ser lido com um espírito aberto.

Leiam-no, apesar de ser extenso não é uma enciclopédia e vai ajudar a perspectivar algumas questões. 

"Ter filhos é ótimo o chato é ser pai".

domingo, 4 de maio de 2014

Audrey Hepburn

Se fosse viva faria hoje 85 anos, uma mulher de uma beleza e um estilo irrepreensível que continua a inspirar mulheres, o verdadeiro exemplo de uma grande Senhora.


 

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Vamos a simplificar e a libertar as mãos







Quando vi isto publicado pensei: bem até pode ser uma imagem muito romântica das acrobacias que uma mãe tem de fazer quase todos os dias, mas depois a minha embirração com coisas fofinhas e lamechas e o meu inato sentido prático falou mais alto e decidi arranjar alternativas que ajudem as mães a aliviar a carga.

- Mãos dadas: nada a apontar, aliás recomendo vivamente que ensinem os vossos filhos (desde que começam a andar) a dar a mão ao adulto que os acompanha. Por motivos de segurança (cair no cimento, correr para a rua não são boas opções); para não perturbarem as outras pessoas (sou mãe mas detesto ver miudos a correr desenfreados nos passeios e a irem contra tudo e contra todos, em supermercados quais macaquinhos à solta); nos shoppings e noutros locais onde nos podem desaparecer da vista em segundos.

- Brinquedos: se andam na rua e de mão dada não levam brinquedos. Metam os brinquedos no saco da criança ou na carteira, mas nas mãos deles ou vossas é que não. Se caem sujam e já não podem voltar a ser usados, ou caem e ficam perdidos e depois é um berreiro. Só atrapalham.

- Chapéu de chuva: claro que não os devem deixar apanhar chuva mas não se esqueçam de um bom carapuço ou gorro também ajudam e protegem-nos.

- Sacos das compras: há duas alternativas que eu por experiência própria usei e uso com resultado. Quando há carrinho de bebé as sacas arrumam-se por baixo - quase todos os carrinhos têm aquele "saco" por baixo" podem pendurar-se nas pegas - mas aqui atenção ao peso para não desiquilibrar.
Se já não há carrinho de bebé arranjem um carrinho de compras com rodinhas - sim esse mesmo que vocês vêm as senhoras de idade a usar - esqueçam lá a vaidade porque são preciosos aliados. Primeiro podem levar o bebé ao colo ou a criança pela mão e em vez de transportarem os sacos todos numa mão o que vos vai estourar a coluna. Segundo vai tudo arrumado num sitio só, menos riscos de perderem algum saco. Terceiro poupem a vossa coluna que quando se tem um bebé ou filho pequeno tão sobrecarregada já está. Quarto ficam com um ar menos esgazeado do que tentar carregar com 10 Kgs de compras mais a criança.

- As chaves: nos bolsos para não se perderem e não ocuparem as mãos. Faz-se assim: tiram-se da carteira ou do carro e metem-se no bolso. Fácil.

Estão a ver como a vida pode ser bem mais simples, claro que eu comecei com uma situação deste género, mas puxei pela cabeça e adaptei-me à nova realidade que é andar com filhos e fazer compras ou passear ou sair para qualquer lado sem terminar tudo em malabarismos.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

A Influência dos Elogios no Desempenho das Crianças



Este texto publicado no  blogue Up  to Lisbon Kids   do  psicologo e mestre em educação Marcos Meier devia ser de leitura obrigatória para todos os pais e por isso eu faço aqui a minha parte ao partilha-lo convosco.


"Que nossos filhos recebam o vento e a terra adubada por nossa postura firme e carinhosa.”

Marcos Meier

Leiam o texto aqui

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Movimento Slow Parenting (pais sem pressa) um bom conselho


Li um post sobre esta temática no blogue Mum's the boss e como partilho totalmente deste tipo de educação menos cronometrada tinha de vos deixar aqui este bom exemplo: "slow parenting" (pais sem pressa)

Por favor desacelerem os pais primeiro e para que os vossos filhos possam também desacelerar. Só temos mesmo esta vida porque não deixar as crianças usufruirem de todas as etapas de forma mais calma e mais livre. 

Lembro-me sempre do que contou certa vez a irmã Alice (uma freira que era um doce) que trabalhava num colégio interno.

"Certo dia ao ir deitar os miudos, como de costume houve um que se aproximou de mim e me disse:

- Irmã amanhã acorda-me bem cedinho?

- Porque é que queres que te acorde cedinho?

- Para ter mais tempo para brincar irmã.

Sim o trabalho daquele miudo é brincar, tal como deveria ser o da maioria das nossas crianças."

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Um video para mães, filhos e para toda a família



Obrigada H. por teres partilhado comigo e com todas as mães especiais que conheces este video tão enternecedor quanto verdadeiro. 

Eu quis partilha-lo com todos vós para que as mães, mas também os pais entendam que muitas vezes somos demasiado severos no julgamento para connosco próprios. Os nossos filhos têm a capacidade para nos amar mesmo com todas as nossas limitações, aprendamos com eles esta lição.

Vá e depois deste palavreado todo assistam aqui ao video


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Banalização da palavra humilde









..."a nossa equipa vêm por este meio, pedir humildemente, a sua participação num breve questionário"...

Este é um exemplo prático de como a palavra humilde é usada a propósito de tudo e de nada tornando-se ridiculo o seu uso. No caso trata-se um grupo de trabalho que precisa que lhe respondam a um questionário. Para isso não necessitava de usar o termo humildemente para pedir que respondam ao dito, dá a sensação a quem lê que estão a pedir perdão por terem cometido alguma falha e estão a faze-lo perante alguém seu superior.

Desde há uns anos a esta parte tornou-se moda usar o termo humilde e suas variantes, porque se crê que assim se está a ser politicamente correcto, não se tem peneiras, não se é vaidoso enfim não nos estamos a colocar acima dos outros.

Mas querem saber uma coisa, a maior parte das vezes que eu ouço alguém a empregar esta palavra o que penso é: és um mentiroso e um hipócrita estás a ser falso e és um peneirento. Pois para mim a verdadeira humildade não é anunciada aos outros é vivida por cada um de forma discreta. As pessoas que eu conheço veradeiramente humildes não usam essa palavra no seu discurso.

Não é usando esta palavra que nos tornamos automaticamente bem vistos aos olhos dos outros; pensei nisso antes de a pronunciar ou escrever.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Praxes Académicas




Começo este post por dizer que quando fui caloira, não aceitei a praxe e abandonei a sala onde nos encontravamos depois de terem peguntado quem não queria continuar a ser praxado. Se foi dificil? Foi, porque ser a unica no meio de quase 100 caloiros a sair com todos os olhos colados em nós não é "pêra doce", mas tive de o fazer. Primeiro porque fui criada segundo principios de igualdade e de justiça que não se coadunavam com aquelas humilhações a que tinha sido sujeita uma manhã inteira. Segundo porque esses actos foram praticados na sua maioria por pessoas que se queriam por um lado vingar das humilhações que outros tinham cometido contra elas, por outro porque se queriam vangloriar do poder que tinham alcançado entretanto. O que eu pensei foi: desculpem lá mas eu não sou bode expiatório das vossas vingançazinhas pessoais das quais eu não tenho culpa nenhuma. 

Querem saber o que aconteceu depois? Fiz amigos integrei-me como qualquer outra pessoa, fui respeitada e era escolhida muitas vezes para ser porta-voz junto dos professores ou da direção da faculdade.

Como veêm não fui ostracizada nem me tornei numa pária da sociedade, só porque me levantei da cadeira e saí da sala naquela manhã.

Se com o meu testemunho e o texto aqui transcrito  puder ajudar uma pessoa a assumir as suas convições dou-me por feliz.

Deixo-vos aqui um excelente texto sobre estas questões escrito por Daniel Oliveira no Jornal Expresso

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Não confundir bondade com tonteria




Está muito certo que devemos tratar todos com respeito, que se estamos perante alguém que não tem a mesma educação que a nossa ou uma instrução inferior devemos compreender isso e temos até alguma obrigação de sermos tolerantes e entendermos que há mesmo uma incapacidade por parte dessas pessoas para entender determinadas posturas que outros têm, precisamente porque não tiveram as mesmas oportunidades. Mas raios me valham que há pessoas que são demais, porque por muito que nos esforcemos, por muito que fechemos os olhos elas são sempre desagradáveis, têm sempre uma alfinetada a dar, nunca nada lhes serve e aí adeus, porque não há paciência que tudo ature. Por muito que se tente levar a vidinha sem problemas, discussões ou confusões quando temos pessoas destas no nosso caminho é difcil e volta e meia tem mesmo de se retribuir na mesma moeda, porque também me ensinaram que quem não se sente não é filho de boa gente.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Alguém me explica porque é que se inventaram as festas de finalistas nos infantários, na primária...



Mas que raio é que deu na cabeça desta gente, educadoras, diretoras de infantários e escolas do ensino básico em conluio com alguns pais (digo eu) para inventarem festarolas de finalistas para as crianças que terminam o infantário ou a primária. Com direito a capa, bengala e cartola quais estudantes universitários mirim.

A minha explicação: neste país onde há mais pseudo-doutores por cm2 que pessoas com miolos, onde qualquer chimpazé tem um canudo, qual foi a ideia destes iluminados? Incutir desde tenra idade o conceito de "doutor" e assim como assim se não chegarem à faculdade porque entretanto abandonaram a escola  para serem jogadores da bola ou celebridades de um qualquer reality-show, ou outra coisa qualquer, podem sempre mostrar as fotos dos 5 e 9 anos quando foram "doutores" do infantário e da primária. Assim é garantidinho que as próximas gerações destas pseudo-celebridades vão carregar o título de "doutor" do infantário. 

Realmente quando se pensa que o portuguesinho não tem mais para onde descer o nível de foleirice, lá se escava mais um bocado o poço e se encontra outro patamar. 

No meio disto tudo as crianças, que por serem pequenas e não terem opções assim se veêm metidas nestas andanças e se todos vão é porque é bom e é assim que tem de ser.

Notem eu gosto de festas de crianças, eu própria participei nas festas do meu infantário e escola, mas eram festas de crianças, não festas de finalistas.

O meu filho não vai ter festa de finalista, porque os pais tiveram juízo e  arranjaram uma escola onde as festas são de crianças, como deve ser. 

Quero fazer aqui uma ressalva, não é minha intenção ofender aqueles pais que até nem acham graça a estas festas, mas que não sabem muito bem como não mandar o filho(a) às mesmas porque têm receio que acabe por se sentir excluído. A minha sugestão: falem com outros pais e proponham uma alternativa que seja adequada à idade do vosso rebento. Eu sei que é mais fácil deixar-se ir na onda, mas também é importante que exista algum espírito crítico, pode não parecer muito adequado, mas a verdade é que o que realmente importa é aquilo que tanto pais como crianças gostam. Afinal estamos a falar de festas, não de obrigações. Pensem nisso.



sexta-feira, 19 de julho de 2013

Não suporto... alcoviteiras/os



A única alcoviteira a quem acho piada é mesmo à personagem de Gil Vicente Brizida Vaz no seu Auto da Barca do Inferno.

Se há coisa que não suporto são pessoas que passam a vida no "corte e cose" da vida alheia. Já algumas vezes fui alvo destes espécimes, mas já há muito tempo que não me incomodavam. Até que... recentemente vi envolvida uma pessoa da minha família e eu indiretamente. Tenho de reconhecer que a situação é rídicula, claro que não deu em nada porque felizmente estamos a falar de pessoas honestas e de elevada confiança. Mas aborreceu-me e incomodou-me muito e a verdade é que  tive vontade de lhe dar a provar do próprio veneno, não fosse pelo facto de não ser diretamente visada sobre o caso e de me terem feito compreender que a melhor maneira de lidar com este tipo de questão é acabando com a curiosidade alheia dando-lhes uma justificação displicente em momento oportuno. 

Claro que entretanto já passou a ser uma piada de família e acabamos por gozar com a situação.

Neste caso a tricotice tornou-se motivo de chacota, mas eu continuo a detestar este passatempo que ocupa tanta gentinha que não pode ter vida própria, ou se a tem deve ser tão desinteressante que tem de espiolhar a dos outros e inventar histórias mais ou menos mirambolantes. 


quinta-feira, 18 de julho de 2013

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Um texto brilhante sobre o estado da educação

Recebi no FB esta nota de uma aluna do 12º ano e que apesar dos seus 17 ou 18 anos analisa o estado da educação como muito poucos adultos tenho visto fazer. Com ela partilho o nome e tenho a mesma opinião.

Aqui vos deixo então a sua nota:

"Eu não fui ensinada por mágicos ou feiticeiros...

de Inês Gonçalves (Notas) - Quinta-feira, 13 de Junho de 2013 às 22:04
Estudo no 12º ano, tenho 18 anos. Sou uma entre os 75 mil que têm o seu futuro a ser discutido na praça pública.

Dizem que sou refém! Dizem que me estão a prejudicar a vida! Todos falam do meu futuro, preocupam-se com ele, dizem que interessa, que mo estão a prejudicar…

Ando há 12 anos na escola, na escola pública.
Durante estes 12 anos aprendi. Aprendi a ler e a escrever, aprendi as banalidades e necessidades que alguém que não conheci considerou que me seriam úteis no futuro. Já naquela altura se preocupavam com o meu futuro. Essas directivas eram-me passadas por pessoas, pessoas que escolheram como profissão o ensino, que gostavam do que faziam.
As pessoas que me ensinaram isso foram também aquelas que me ensinaram a importância do que está para além desses domínios e me alertaram para a outra dimensão que uma escola “a sério” deve ter: a dimensão cívica.

Eu não fui ensinada por mágicos ou feiticeiros, fui ensinada por professores! Esses professores ensinaram-me a mim e a milhares de outros alunos a sermos também nós pessoas, seres pensantes e activos, não apenas bonecos recitadores!

Talvez resida ai a minha incapacidade para perceber aqueles que se dizem tão preocupados com o meu futuro. Talvez resida no facto de não perceber como é que alguém pode pôr em causa a legitimidade da resistência de outrem à destruição do futuro e presente de um país inteiro!
Onde mora a preocupação com o futuro dos meus filhos? Dos meus netos? Quem a tem?
Onde morava essa preocupação quando cortaram os horários lectivos para metade e mantiveram os programas?
Onde morava essa preocupação quando criaram os mega-agrupamentos?
Onde morava essa preocupação quando cortaram a acção social ou o passe escolar?
Onde mora essa preocupação quando parte dos alunos que vão a exame não podem sequer pensar em usá-lo para prosseguir estudos pois não têm posses para isso?
Não somos reféns nessa altura?              
E  a preocupação com o futuro dos meus professores? Onde morava essa preocupação quando milhares de professores foram conduzidos ao desemprego e o número de alunos por turma foi aumentado?

Todas as atrocidades que têm sido cometidas contra nós, alunos, e contra a qualidade do ensino que nos é leccionado não pode ser esquecida nunca mas especialmente em momentos como este!

Os professores não fazem greve apenas por eles, fazem greve também por nós, alunos, e por uma escola pública que hoje pouco mais conserva do que o nome. Fazem greve pela garantia de um futuro!

De facto, Crato tem razão quando diz que somos reféns, engana-se é na escolha do sequestrador!

E em relação aos reféns: não são só os alunos; são os alunos, os professores, os encarregados de educação, os pais, os avós, os desempregados, os precários, os emigrantes forçados... Os reféns são todos aqueles que, em Portugal, hipotecam presentes e futuros para satisfazer a "porra" de uma entidade que parece não saber que nós não somos números mas sim pessoas!
Se há momentos para ser solidária, este é um deles! Estou convosco*"

Inês Gonçalves